Acima de tudo, a arquitetura vista como forma de arte pode ser entendida como tendo a missão de provocar os sentidos, de preferência todos ao mesmo tempo, provocando nossas emoções e imaginação. A arquitetura relaciona, media e projeta significados (Pallasmaa, J.,2005).

Multiplicidade dos sentidos

Hoje, falamos muito na multiplicidade dos sentidos, talvez 12. Na minha opinião, há muito mais se enumerarmos as sensações conscientes e as que moram no nosso inconsciente instintivo. E são com estes sentidos que a boa arquitetura conversa, ou motiva uma discussão profunda e significativa.

Segundo Pallasmaa, a falta de humanidade da arquitetura e das cidades atuais pode ser entendida como resultado da falta de atenção com o corpo e os sentidos, ou seja, há uma desarmonia com o sistema sensorial. Como resultado, aumentamos a alienação, o isol7amento e a solidão dentro deste mundo interativo e “conectado”.

Sendo assim, onde foi que nos perdemos? Talvez, que tenha sido quando se valorizou mais a forma e a tecnologia. Desta forma, o homem foi colocado à margem, apenas como mero expectador e apreciador de grandes obras.

As construções, por sua vez, não emitem mensagem de conforto ou não passam uma visão do todo, não trabalham com todos os sentidos. A visão nesta arquitetura é privilegiada, e a visão, por incrível que pareça, é muito menos honesta com os sentidos. Ela não promove conexão do homem com ambiente que vive, ela é tendenciosa e vulnerável, não incita à intimidade.

Qual seria então o pai dos sentidos, na arquitetura?

Segundo estudiosos, seria o tato, porque é através dele que nos conectamos ao objeto. Sendo assim, podemos sentir suas cicatrizes do uso, sua temperatura e suas texturas. Isso nos envolve. Abre nossa mente à imaginação, nos aproxima, cria uma realidade sensorial, nos ambienta e pode ser agregado aos mais diversos outros sentidos. Como, por exemplo, a música, a temperatura, o cheiro, a percepção do espaço, sinestesia das coisas, criando assim uma atmosfera particular, única.

Em posse deste conhecimento, onde o tato é vital, podemos pensar em produzir uma arquitetura mais eficiente para o homem, afinal ela não existiria se não fosse por ele e para ele. Sendo assim, vamos implementar em nossos projetos sensações sutis, dinâmicas e que alimentem o nosso imaginário, procurando melhorar a experiência do espaço por aquele que o habita.

Lembre-se que: a vida não é feita de monumentos, trabalhamos ou visitamos monumentos, não moramos neles. Então, como afirmou Bachelard (1971, p XXXIV), “em nossos lares temos esconderijos e cantinhos nos quais gostamos de nos aconchegar com conforto. Aconchegar-se pertence à fenomenologia do verbo habitar, e somente aqueles que aprenderam a fazê-lo conseguem habitar com intensidade” “e quando sonhamos acordados, nossa casa é sempre um grande berço” (Bachelard, G., Ibid, p 15).

Texto baseado na leitura de Os Olhos da Pele, A Arquitetura dos Sentidos, Juhani Pallasmaa, 2005.

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